Gravidez - Sexualidade
 

1º Matéria sobre Sexualidade na gravidez
Obstetrícia cria ambulatório para ajudar a resolver problemas afetivos e sexuais que surgem na gestação
 
Para alguns casais, o segundo trimestre da gravidez pode ser a fase mais afetuosa
 
Simone Paulino
A afetividade entre homem e mulher aumenta na gravidez? É normal diminuir a freqüência das relações sexuais nesse período? Para ajudar as gestantes atendidas na instituição a encontrarem respostas para essas e outras questões, a Unifesp criou um serviço inédito no país.
Trata-se do Setor da Sexualidade no Ciclo Gravídico-Puerperal, cujas atividades se iniciam na segunda quinzena de setembro. O objetivo do serviço não é apenas assistir a mulher e ajudá-la a entender os sentimentos que a assaltam ao se tornar mãe.
"Esse é um projeto que tem um pé na assistência e outro no ensino. Nossa idéia é também instrumentalizar os obstetras para que possam lidar com essas questões. Pois, apesar de trabalharem o tempo todo com a intimidade feminina, os médicos, na sua formação, não recebem conteúdo nenhum sobre sexualidade", explica Maria Cristina Domingues Pinto, psicóloga e psicanalista que coordenará o serviço.
A psicóloga Maria Cristina Domingues Pinto: "A idéia é ajudar as pacientes e instrumentalizar os obstetras".
O atendimento às pacientes será feito todas as terças-feiras, das 9h às 11h. Num primeiro momento, será montado um grupo com 15 mulheres grávidas, que semanalmente discutirão temas levantados por elas mesmas. No futuro, os maridos também serão integrados ao serviço.
Além da idealizadora do projeto, as pacientes serão acompanhadas também por outra psicóloga e um obstreta. Para serem atendidas, terão de ser encaminhadas pelos médicos do Hospital São Paulo. "É aí que entra a outra etapa do projeto: preparar os médicos para que saibam quando encaminhar a paciente para o ambulatório", reforça Maria Cristina. Também uma vez por semana, eles se reunirão para discutir os casos e traçar as melhores estratégias para abordar o assunto com as pacientes. Médicos interessados em participar das discussões devem entrar em contato com a coordenadora do projeto, na Obstetrícia.

Serviço
O Ambulatório da Sexualidade no Ciclo Gravídico e Puerperal fica na Rua: Napoleão de Barros, 871. Telefone: (0xx11) 5571-0761.

As dificuldades comuns em cada fase
Primeiro trimestre

Nessa fase ocorre o que os psicanalistas chamam de regressão emocional. A mulher muda o seu comportamento para criar maior afinidade com o bebê. Fica mais quieta, sonolenta e tende a se afastar um pouco do parceiro porque está o tempo todo pensando nas mudanças que estão por vir.
Segundo trimestre
O bebê se faz mais presente pelo crescimento da barriga e da intensificação dos movimentos. Para o casal, essa pode ser a melhor fase da vida afetiva e sexual na gravidez, mas o oposto também pode acontecer. A mulher pode se sentir totalmente preenchida pelo bebê e rejeitar qualquer aproximação do marido.
Terceiro trimestre
A barriga já muito grande afeta a auto-estima da mulher, e as preocupações com o parto tomam toda a energia. O marido, por sua vez, tem medo de ferir o bebê ou de precipitar o parto com a relação e tende a não procurar a parceira.
Pós-parto
Mesmo passados os primeiros 40 dias do parto, o bebê toma todo o tempo da mulher, às vezes do casal. Com isso, a aproximação torna-se difícil. Some-se a esse quadro a preocupação da mulher, por ainda não estar em forma, e o medo de  ambos em econtrar dificuldades na retornada da vida afetiva e sexual

2º Matéria sobre Sexualidade na gravidez

Gravidez e Sexualidade
A sexualidade entre homem e mulher, só da mulher ou do casal, aumenta na gravidez? Essa tem sido uma questão incomodamente presente na vida do casal e, não menos incômoda, na psiquiatria e psicologia.
A intenção desse artigo é refletir sobre as alterações da sexualidade possíveis de acompanhar a gravidez e não, como poderia se pensar, avaliar as noções de certo-errado, justo-injusto, ideal-possível, enfim, não há aqui uma preocupação ética, senão apenas psicológica. Procuramos pensar naquilo que pode acontecer de fato e não naquilo que, romanticamente, deveria acontecer.
Para o casal a gravidez é um período de adaptações. São adaptações em todos os sentidos; adaptações físicas, emocionais, existenciais e também sexuais. É importante ressaltar que a necessidade de adaptação não afeta só a mulher, nessa fase, mas também o homem.
Na verdade, não há nenhum impedimento absoluto ou uma condição inexorável para que a vida sexual continue satisfatória. Também seria demagogia afirmar textualmente que a sexualidade do casal continua, na gravidez, como se nada houvesse de diferente. Alguns autores costumam dizer, otimistamente, que tudo será como antes e, curiosamente, até melhor. Mas isso pode ser mais uma daquelas atitudes “simpáticas” que dão popularidade.A partir do momento em que a mulher entra no período gestacional, iniciará um processo de desenvolvimento que conduzirá a várias transformações orgânicas e expressivas mudanças a nível bio-psíco-social.
Portanto, no mínimo, não será sensato negar as contundentes alterações físicas que acontecem na mulher, tais como, o crescimento abdominal, a sensibilidade mamária, a ocorrência nem sempre oportuna de náuseas e vômitos, a maior lubrificação vaginal, entre outros. Todas essas são alterações orgânicas que as mulheres experimentam durante a gestação e que podem influir fortemente na vida sexual do casal. E não se trata de uma interferência por carência de afeto ou de sentimentos, mas por gerarem desconforto.
Do ponto de vista emocional, a mulher pode não se sentir atraente ou feminina, diminuindo com isto sua auto-estima. Pode ser conflitante estar num momento culturalmente considerado divino e, ao mesmo tempo, não estar gostando de si mesma.
Os homens, por outro lado, não têm alterações orgânicas, mas podem ser afetados por questões emocionais, tais como a ansiedade em relação ao parto, à criação do filho, à responsabilidade de ser pai, etc.
Além disso, problemas relativos ao entorno circunstancial à gravidez também podem influir no bem estar sexual do casal. Essas questões dizem respeito ao planejamento da gravidez (pior, no caso desta ter sido indesejável), da qualidade prévia da relação entre o casal, da crença e medo de machucar o bebê durante o ato sexual, enfim, são circunstâncias que podem propiciar alguma precariedade da vida sexual.
A sexualidade da mulher na gravidez dependerá, entre outros motivos, de como ela se percebe, se avalia e se valoriza nessa fase. Enfim, dependerá grandemente de sua auto-estima. Sentir-se amada e atraente, além da realidade dos fatos de estar sendo, de fato amada e de ser, de fato atraente, além dos esforços de seu companheiro em deixar claro seu sentimento por ela, depende decisivamente de sua auto-estima e, conseqüentemente, de sua afetividade.
Pelo lado prático, outro fator que deve ser levado em conta, é a posição com que o coito é realizado. Para que se torne prazeroso, é necessário encontrar o modo e a posição mais cômoda e agradável. Cabe à mulher, procurar essa posição, pois é ela que está com o corpo modificado. Muitas vezes, o tamanho avantajado da barriga na gravidez avançada torna mais difícil ainda esta ou aquela posição. Fatores que influenciam o desempenho sexual do homem.
Do ponto de vista prático, o fator que mais diretamente influi na performance sexual masculina é, de fato, a questão estética da mulher. Dependendo das preferências do companheiro, as alterações na estética corporal da mulher servem como desestímulo à sua libido.
Muito embora por amor e respeito algo possa ser dito em sentido contrário, na realidade a perda de atrativos sexuais da mulher, que passa a não corresponder ao modelo social de "sexualmente atraente", é um importante fator negativo sobre o desempenho sexual masculino.
A partir do segundo trimestre de gestação também se dá um aumento do edema da vulva e da vagina, associada à intensificação da lubrificação vaginal, feita às custas de maior congestão pélvica. A partir do terceiro trimestre de gestação, o próprio volume abdominal maior pode influir negativamente no desempenho masculino. A eliminação do colostro (pré-leite), algumas vezes em grandes quantidades, também pode interferir na excitabilidade e no orgasmo, deixando o casal mais confuso e receoso.
Do ponto de vista psicológico, a partir do terceiro trimestre acentua-se ainda mais os movimentos fetais, os quais já podem ser percebidos no contato corporal ou até visíveis. Esses movimentos representam, do ponto de vista psicológico, a presença viva do filho, a interpor-se entre o casal. Estes movimentos também podem inibir as manifestações da sexualidade.
O temor de prejudicar o filho no momento da penetração vaginal, de provocar um aborto ou desencadear um parto prematuro é também um importantíssimo agravante da sexualidade masculina. Este mesmo temor no final da gestação leva o homem a sugerir posições alternativas de coito, que podem não ser tão prazerosas para a mulher.
Ainda emocionalmente, a associação inconsciente entre a esposa grávida e a figura de sua própria mãe pode ocorrer, dando um forte componente incestuoso à relação, com bloqueio quase total da sexualidade. 
Fatores que influenciam o desempenho sexual da mulher  
Para a mulher, a gravidez pode ser considerada uma fase marcada por importante estado de tensão. Há expectativas de grandes mudanças, tanto corporais quanto familiares e emocionais. Essas mudanças envolvem os aspectos biológicos, psicológicos e sociais.
Além das questões existenciais a mulher passa por uma revolução hormonal e por profundas alterações em seu esquema corporal. Ela passa a se ver e a ser vista de uma maneira diferente. Nessa fase pode haver conflitos importantes entre o anterior papel de amante, permeado do papel de esposa, misturado com o de mãe. Emocionalmente essas questões comprometem seriamente a libido.
Embora esta reorganização de identidade envolva também o homem, pois a paternidade implica em se responsabilizar pela criança que vai nascer e se ele vinha cumprindo uma função de protetor de sua companheira, na mulher parece que seus efeitos são muito mais contundentes.
Na realidade, de acordo com algumas pesquisas (Iracema Teixeira), a atividade sexual, durante a gravidez, costuma sofrer uma redução de 40 a 60%, em virtude de todos esses fatores aqui citados. Na mulher, principalmente nas nulíparas (que estão na primeira gravidez) o decréscimo sexual que acontece no primeiro trimestre, pode refletir um medo (quase sempre indevido) de abortar, sentimentos de rejeição à gravidez e/ou ao parceiro, além dos desconfortos físicos proporcionados pelas náuseas, vômitos, azia, dor de cabeça, etc.
No segundo trimestre, entretanto, poderá haver um aumento do desejo sexual e da atividade sexual para, em seguida, no terceiro trimestre, haver contundente redução. Nessa fase da gestação a atividade sexual costuma ficar menos freqüente, coincidindo com a fase de intensa baixa da auto-estima devido às modificações corporais, acrescido da diminuição do interesse do parceiro, dos medos com relação ao parto, de eventuais restrições médicas, etc.
Grande parte da performance sexual das mulheres grávidas depende, substancialmente, de seu estado afetivo. Mulheres que atravessam um período de depressão, por exemplo, dificilmente terão auto-estima satisfatória para sentirem-se desejáveis. Isso, por si só, já inibe as iniciativas sexuais, contribuindo para um círculo vicioso: depressão, baixa auto-estima, sentir-se pouco desejada, apatia sexual, o companheiro se distancia de fato, aumenta a depressão, baixa ainda mais a auto-estima, e assim por diante. 
Fatores que influenciam o relacionamento do casal  
Emoções e sentimentos variáveis, desde a alegria até a depressão, decorrem de preocupação em relação à evolução da gestação, das condições do recém-nascido, dos problemas econômicos, dos futuros cuidados com o filho.
Conflitos decorrentes do medo da perda da individualidade, da divisão do amor pelo parceiro(a) por mais outra pessoa (filho), da insegurança em relação às modificações físicas, podem surgir e a gravidez pode se transformar numa ameaça à relação do casal, principalmente se essa relação possuir, previamente, um frágil equilíbrio.
Por inúmeras razões, de emocionais até práticas, a mulher pode começar a excluir progressivamente o parceiro de sua vida. Com isso, o homem poderá sentir intenso ciúme do filho que vai nascer, mágoa por essa “deslealdade”, repulsa por alguém que “não lhe quer mais”. É muito importante enfatizar que nem todos os casais vivenciam tais problemas e que a intensidade com que essa crise da gravidez é vivida pelo casal é extremamente variável.Como a atividade sexual, obviamente, pode sofrer alterações expressivas durante a gravidez, a vida de relação do casal ficará ameaçada. É por causa disso tudo que, para alguns casais, a maternidade e o sexo são situações que não se combinam, podendo inclusive, gerar conflitos emocionais tanto no homem quanto na mulher (Iracema Teixeira, idem).
Em nossa experiência é bastante evidente que o relacionamento do casal depende, em grande parte, do estado emocional em que se encontram, tanto a mulher quanto o homem. Entenda-se esse “estado emocional” como sendo o componente depressivo da emoção. Fica difícil a mulher grávida satisfazer-se com a atenção e carinho do companheiro, caso sua auto-estima esteja muito rebaixada. Auto-estima rebaixada é um sintoma básico da depressão, e não a tristeza como todos acreditam.Auto-estima rebaixada se manifesta por extrema insegurança, dando a nítida impressão de que o companheiro está forçando ou simulando sentimentos que não tem. A suspeita de que o marido a desgosta, que simula sentimentos, que pode estar procurando outra, que não “liga” mais para ela favorece um clima de discórdia continuada. A vida do casal que passa por esse transtorno (depressivo) fica muito mais instável.A insegurança da gestante também resulta em pensamentos negativos sobre o bebê que vai nascer; a mulher insegura pensa nas malformações, nas doenças, na morte durante o parto e toda sorte de tragédias. É comum, nesses casos, que a mulher grávida esteja sempre chorando. O clima de choro e lamúria continuado pode, também, instabilizar a relação do casal. O companheiro irá se queixar de que “nada que faça está bom para sua mulher”. É uma situação que favorece maior distanciamento do casal.  

3º Matéria sobre Sexualidade na gravidez

Muitas mulheres interrompem a vida sexual durante a gravidez, em especial quando a barriga começa a crescer. Será que isso é mesmo necessário? Ou seria muito melhor continuar a ter as relações?
Há muitos mitos e tabus em torno da sexualidade na gestação. Parte das pessoas acredita que as mulheres que mantêm uma vida sexual ativa nesse período acabam prejudicando o bebê. Isso não é verdade.
Quando a gravidez não é de risco (ou seja, a mulher não apresenta risco de aborto a qualquer momento), tudo bem manter as relações com o parceiro. Isso até faz bem: sexo aumenta a cumplicidade do casal,alivia tensões, relaxa e, acima de tudo, dá um enorme prazer.
Porém, alguns mitos atrapalham. Alguns deles: há quem pense que as contrações provocadas na hora do orgasmo antecipam o parto ou que a ejaculação pode atingir o bebê. Ou ainda que o pênis pode pressionar e machucar o feto. Tudo isso não passa de enormes bobagens.
O que atrapalha a vida sexual na gravidez é, em alguns casos, as alterações físicas pelas quais a mulher passa, como a diminuição da lubrificação vaginal natural e o crescimento da barriga. Mas tudo pode ser perfeitamente solucionado com algumas dicas e truques, como utilizar um lubrificante à base de água, vendido em farmácias, e fazer ajustes nas posições eróticas.
Uma dica: algumas grávidas relatam ser mais confortável e prazeroso quando elas se sentam sobre o parceiro. Assim, a barriga fica livre e elas têm maior controle sobre os movimentos de penetração. Ou se deitam de lado, colocam um travesseirinho sob a barriga, para apoiá-
la, e o parceiro se encaixa por trás.
Além disso, sexo não se restringe apenas à penetração. Há outras práticas que podem ser muito prazerosas, como o sexo oral ou a
masturbação mútua. E vale lembrar: quem vive bem com a sexualidade durante a gravidez só tem a ganhar!

 

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