Gravidez - Alimentação

1º Matéria sobre alimentação na gravidez

Alimentação equilibrada na gravidez garante a saúde da mãe e do bebê

Durante a gestação, a mulher apresenta as necessidades energéticas aumentadas. Quanto melhor a alimentação, melhor a saúde da mãe e do bebê. Mães cuja alimentação é inadequada antes e durante a gravidez têm maiores chances de gerar crianças com baixo peso ao nascer (prematuras), com problemas congênitos e mentais.
Nossas avós já diziam: "agora você precisa comer por dois".
Bem, a sabedoria de nossas avós está quase certa. O consumo deve ser aumentado, mas, por favor, sem exageros. E preste muita atenção. Alimentar-se bem não significa comer tudo o que passar pela frente ou apenas o que achamos saboroso. É preciso consumir alimentos nutritivos em quantidades adequadas.
Durante a gravidez, a média de ganho de peso deve ficar em torno de 11 quilos.
Uma alimentação adequada durante a gravidez ajuda a suprir as necessidades de vitaminas e minerais mantendo a boa nutrição da mãe e do bebê.
Muitas vezes é vital suplementar alguns nutrientes, como ferro, vitamina A, ácido fólico e cálcio, entre outros. Sendo assim, não deixe de receber acompanhamento médico e nutricional. Nem pense em consumir suplementos por conta própria, pode ser prejudicial para você e para o bebê.
Esta é a melhor hora para colocar em prática a boa nutrição. O primeiro passo é dividir as refeições: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e lanche noturno. Consuma, em média, 2 litros de água por dia.
Os cereais devem fazer parte do cardápio porque são ricos em vitaminas quando integrais. Fazem parte do grupo dos alimentos energéticos: arroz integral, macarrão integral, aveia, fubá de milho integral, cevada, aveia e pães integrais. Dê preferência ao açúcar mascavo.
As verduras, legumes e frutas frescas são do grupo dos reguladores. Procure variar sempre as cores para garantir o consumo de vitaminas e minerais diversos.
Inclua diariamente carnes, leguminosas e sementes. Fazem parte do grupo dos construtores: carnes brancas e vermelhas, feijão, lentilha, soja, ervilha, grão de bico, noz, castanha-do-pará e gergelim, entre outras.
Restrinja o consumo de carnes gordas, frituras, cafeína, bebida alcoólica, refrigerantes, embutidos, enlatados e doces. São saborosos, mas nada benéficos para o organismo.
Utilize ervas aromáticas e temperos naturais, como alho, cebola, limão, manjericão e orégano, para temperar as refeições e diminua o sal.
E uma dica muito importante: mastigue bem os alimentos, mantenha sempre a calma e a alegria. São componentes fundamentais para a boa absorção dos alimentos!
Veja se você consome a quantidade certa de alimentos
Confira a tabela abaixo para ver se você está consumindo a quantidade adequada de alimentos diariamente.

A tabela auxilia na adequação de sua alimentação, mas a quantidade ideal a ser consumida deve ser fornecida pelo seu nutricionista ou médico.

2º Matéria sobre alimentação na gravidez

Com uma nutrição saudável e equilibrada você garante 
um bom desenvolvimento de seu bebê, e uma gestação melhor.

A nutrição desempenha um importante papel na gestação. Foi demonstrado através de testes laboratoriais que dietas deficientes causam efeitos prejudiciais tanto à mãe quanto ao feto. Constatado por alguns estudos que a má nutrição materna pode ser uma causa de deficiência no crescimento, resultando em bebês pequenos e de baixo peso. 
As conseqüências da má nutrição para o feto dependem do período, severidade e duração da restrição dietética. Adicional energia, proteínas, vitaminas e minerais são requeridos durante a gravidez para suportar a demanda metabólica da gravidez e do crescimento fetal.

Adicionando Energia à Sua Dieta
Encontrar o requerimento energético ideal é difícil, porque ele está correlacionado com o peso da mulher antes da gravidez, o ganho de peso, período da gestação e a atividade física. De acordo com as Quotas Dietéticas Recomendadas (RDAs) é necessário um adicional de 300Kcal no período da gestação, em especial no segundo e terceiro trimestre.

Adicionando Proteínas à Sua Dieta
Ocorre a necessidade de um adicional protéico para suportar a síntese de tecidos maternal e fetal. É importante compreender que é importante adequar a alimentação em relação a energia e proteína. O crescimento é um processo complexo que requer mais do que um fornecimento adequado de proteínas e energia. Para garantirmos uma gestação saudável, ocorre a necessidade de uma ingestão de vitaminas e minerais dietéticos e/ou suplementados.

Adicionando Vitaminas e Minerais à Sua Dieta
Todos as vitaminas e minerais são de suma importância. Na gestação, podemos dar maior ênfase ao acido fólico, acido ascórbico, vitaminas B6, A, D, E, K, cálcio, fósforo, ferro, zinco, cobre, sódio, magnésio, flúor e iodo. Para suprir as nossas necessidades é extremamente importante uma alimentação diversificada incluindo cereais, produtos integrais, oleaginosas, frutas, legumes, verduras, laticínios e carnes nas quantidades recomendadas. Os minerais e as vitaminas possuem funções específicas que garantem a saúde da mãe e o perfeito desenvolvimento fetal. É fundamental que a "futura mamãe" tenha hábitos alimentares saudáveis e "escolha" os alimentos corretamente garantindo a ingestão de todos os nutrientes necessários.

A Dieta da Mãe que Amamenta
O mesmo podemos dizer para as mães que amamentam, pois durante este período há um aumento das necessidades energéticas em função do grande gasto calórico para a produção do leite. A mãe que está amamentando não pode esquecer de ingerir líquidos em grandes quantidades, principalmente água (pelo menos um litro por dia), chás e sucos. O baixo consumo de líquido pode levar a uma diminuição da produção de leite

Precauções Necessárias para as Mães que Amamentam
Evitar grandes quantidades de café, chá preto, chocolate, alimentos com corante, alimentos light e adoçantes;
Não exagerar em temperos de odor forte, como o alho;
Não fumar nem fazer uso de bebidas alcoólicas;
Procurar comer peixe duas a três vezes na semana;
Não tomar medicamentos sem orientação médica, pois algumas drogas podem ser transmitidas para o leite.
É fundamental que essas fases "especiais de nossas vidas" sejam muito bem programadas e orientadas por profissionais competentes para garantirmos a nossa saúde e a de nossos filhos.

Modelo de Cardápio para Gestantes
Muita atenção deve ser dada ao se elaborar uma orientação nutricional para uma gestante. O consumo de alimentos deve ser adequado para atingir as necessidades nutricionais da mãe e do feto. O planejamento das refeições deve suprir o fornecimento adicional de nutrientes para suportar as exigências metabólicas da gravidez e ganho de peso. A necessidade energética diária é individualizada variando de acordo com o peso pré-gravidez e estágio da gestação.

Exemplo de Cardápio

Café da manhã Laticínios: leite ou iogurte ou queijo magro
Pão de centeio ou integral ou francês
Creme vegetal
Frutas ou sucos de frutas ou ambos
Lanche Matinal Vitaminas de frutas ou leite com frutas, laticínios magros ou frutas
Almoço Verduras e legumes crus ou cozidos, consumir todos os dias em grandes quantidades.
Arroz integral ou branco ou massas
Carnes magras, no caso de frango, sem pele ( retirar a pele no preparo)
Acompanhamento – legumes e verduras cozidos, evite frituras
Sobremesa - frutas ricas em vitamina C ou suco de frutas ricas em vitamina C - acerola, Kiwi, morango, goiaba, açai, laranja, limão, tomate e couve – antioxidante e melhor absorção de ferro.
Lanche Vespertino Leite magro + café + bolachas ou torrada
Jantar As preparações devem ser de fácil digestão, pois geralmente as pessoas têm atividade muito sedentária após o jantar (assistir televisão, dormir, ler, estudar).
Sopas ou saladas completas.
Caso opte pelo consumo de carne, recomenda-se a ingestão de pequenas quantidades de carne e prefira as brancas e no caso das vermelhas em preparações moídas ou em sopas.
Optar pela salada + sopa ou pela salada + lanches.
Lanches com frios magros + verduras cruas e cozidas + sucos
Ceia Mingau de aveia + leite magro ou chá + fatia de queijo magro ou um copo de iogurte magro + uma fruta.

OBS: Não consumir frituras e pratos com molhos gordurosos, atenção ao consumo de sal e óleo.O ideal é procurar a orientação de um profissional especializado para que a dieta seja direcionada para "você ", de acordo com as sua necessidades nutricionais, peso atual e exame laboratoriais.

3º Matéria sobre alimentação na gravidez

Dieta Vegetariana na Gravidez: Riscos e Benefícios
"É preciso muito mais que apenas o solo, o ar e o calor para que uma planta cresça. É preciso regá-lo e dar ao solo os nutrientes de que ele precisa. Assim também a mulher em estado de gravidez, e mais ainda se ela se decidir por uma dieta diferente daquela que está habituada. A dieta vegetariana é uma opção saudável, desde que a grávida siga os cuidados básicos de quem tem que se alimentar e se nutrir por dois. Neste artigo, algumas orientações sobre o propagado valor das proteínas, além de dicas e advertências básicas para que o bebê cresça com saúde. Você vai conhecer também uma vegetariana que deu certo e que teve uma gravidez feliz, a Xuxa. Sempre lembrando que ela possui as condições ideais para este tipo de dieta, que inclui alimentos às vezes não tão acessíveis e não tão baratos. Por isso, nada exclui o pré-natal e o acompanhamento do médico, mês a mês, e o bom senso, quando a grávida deve comer aquilo que lhe é permitido e também que lhe é possível, em relação ao meio que a cerca".

Estou Grávida. E Agora?
Uma árvore frutífera vive saudável e produz bons frutos quando o solo em que ela está plantada é tratado com todos os cuidados necessários para se manter rico e com boa irrigação, ainda antes da colheita. Da mesma forma que uma árvore extrai seus nutrientes do solo para dar frutos, é necessário que uma mulher grávida se alimente da melhor maneira possível para garantir ao organismo dela e ao do bebê um desenvolvimento sadio.
Na dieta vegetariana, o grupo básico de alimentos clássicos – as carnes, os laticínios, as frutas e vegetais, os cereais – não estão todos presentes. A dieta vegetariana, segundo o padrão Vegan de vegetarianismo, pressupõe abolir totalmente toda carne animal e todos os produtos derivados de animais, como o leite e os queijos.
Entre um extremo e outro, a grávida deve encontrar, junto com seu médico, o que é melhor para ela e o bebê durante o período de gestação.
A Dra. Leila P. Rizzo, ginecologista, explica que o organismo da mulher deve seguir e reforçar a alimentação a que ele está habituado e que, na falta da proteína animal em sua dieta, a gestante deve se informar como obter o melhor índice de proteína vegetal para suprir esta deficiência.

O Mito das Proteínas
A União Vegetariana Internacional (UVI), em seus artigos, tenta lançar alguma luz sobre o mito das proteínas. A Dra. Reed Mangels, médica nutricionista da UVI, começa por examinar os antecedentes do mito da complementação de proteínas. "A proteína é feita de aminoácidos, descritos muitas vezes como tijolos. Na verdade, temos necessidade biológica de aminoácidos, e não de proteínas", diz a médica. Ela acrescenta que os seres humanos não podem fabricar nove dos vinte aminoácidos mais comuns, e por isso eles são considerados essenciais. "Em outras palavras, precisamos recebê-los na dieta. Precisamos dos nove aminoácidos para que nosso corpo fabrique proteína", acrescenta a nutricionista.
Para explicar mais além, a Dra. Mangels prossegue dizendo – "Ovos, leite de vaca, carne e peixe foram chamados de proteína de alta qualidade. Isto significa que contêm grande quantidade de todos os aminoácidos essenciais. Soja, quinoa (cereal nativo dos Andes) e espinafre também são considerados fontes de proteína de alta qualidade. Outras fontes protéicas de origem não-animal costumam ter todos os aminoácidos essenciais, mas a quantidade de um ou dois deles pode ser pequena". A médica dá um exemplo: "os cereais têm pouca lisina (aminoácido essencial) e as leguminosas têm menos metionina (outro aminoácido essencial) do que as fontes protéicas ditas de alta qualidade".
A União Vegetariana Internacional entende, assim, que os aminoácidos, presentes nas proteínas, é que são necessários ao organismo, e afirma que os vegans (pessoas que se dedicam à nutrição vegetariana padrão Vegan) são sempre bombardeados sobre a possibilidade da sua alimentação não conter proteína suficiente.
Para as gestantes, esse mito é ainda mais acentuado, uma vez que a gravidez requisita do organismo mais proteínas para dar ao bebê. Mesmo assim, a UVI afirma que a dieta vegetariana é bastante rica em proteínas, bastando ser uma dieta balanceada, e lembra: não apenas as proteínas são importantes na gravidez, mas também as calorias (através dos carboidratos), os sais minerais, a água, os óleos e as gorduras (presente em frutas como nozes, castanhas e em grãos como amendoim) e as vitaminas (frutas e hortaliças).
Mas a Dra. Rizzo faz um alerta. Ela explica que as fontes de proteína podem não ser tão boas quando os alimentos são extraídos de um solo pobre, pouco fértil, e que muitas vezes as grávidas precisam de suplementos alimentares. A Dra. Rizzo enfatiza a necessidade da jovem mãe buscar uma dieta equilibrada, com uma variedade grande de alimentos, para tentar retirar dos próprios alimentos os nutrientes necessários, sem a necessidade de complementar a dieta com remédios.

Mãe Vegetariana – Vantagens e Desvantagens
Os adeptos do vegetarianismo, entre eles a UVI, sustentam que uma das vantagens da dieta vegetariana na gravidez é que a digestão dos alimentos é melhor e mais rápida. Por conseqüência, o funcionamento dos rins também sofre menos, pois a carne vermelha contida na dieta não vegetariana libera toxinas.
Mas a grávida deve ficar atenta aos produtos naturais, pois se passados da validade ou se tiverem problema no cultivo ou na armazenagem (como os amendoins no Brasil, que, pouco tempo atrás, foram contaminados por fungos muito perigosos à saúde humana), podem também liberar toxinas.
Para se assegurar de que a ingestão de ferro é satisfatória, a grávida deve obter fontes de vitamina C como tomate, brócolis, melão, laranja ou outro suco de frutas às refeições. Essas comidas realçam a absorção do ferro nos legumes e grãos, tornando-o mais solúvel. Também o leite e seus derivados, para quem não segue uma dieta estritamente Vegan, tais como iogurte e queijo, são excelentes fontes de cálcio, tão importante na gravidez quanto no período de amamentação. Os Vegans podem obter cálcio de comidas como tofu, couve, repolho, sementes de girassol, figos secos. A vantagem, no caso, é que os alimentos podem ser substituídos. A desvantagem é que, muito embora os Vegans afirmem que a dieta vegetariana é bem mais econômica, alguns tipos de peixe como o salmão e de alimentos naturais como tofu, sementes, figos secos e outros têm um custo maior, por não serem facilmente encontrados a não ser nos entrepostos de comida natural, não acessível a toda mulher grávida de todas as camadas sociais.

A Dieta da Xuxa
A apresentadora Maria da Graça (Xuxa) Meneghel é assídua leitora de livros de medicina alternativa e segue basicamente uma alimentação vegetariana. Ela e Madonna são apontadas pelos vegetarianos como exemplos de vitalidade e saúde, e ambas tiveram filhos sem abrir mão de seus hábitos alimentares. Durante a gravidez, Xuxa seguiu os mesmos padrões de alimentação vegetarianos a que estava habituada e teve uma gravidez tranqüila. Seu cardápio não inclui a carne vermelha, nem os açúcares ou farinhas refinadas, queijos, manteiga e sal. Na verdade, porém, seus hábitos vegetarianos não começaram agora. A preferência pelos alimentos naturais e integrais começou no início da sua adolescência, muito antes de conceber a filha Sasha que conta hoje dois anos. Sua governanta, Maria, é quem cuida pessoalmente dos pratos da artista, em geral sem proteínas animais. Maria conta que faz empadões de trigo integral, com recheio de tofu e legumes, carne de soja, sopas e às vezes um peixe assado ou grelhado, como um filé de viola, linguado ou salmão". Para dar um sabor aos pratos, Xuxa costuma temperá-los com gergelim torrado, molho de soja e vinagre de umeboshi (ameixa japonesa, salgada e vermelha). Xuxa também aprecia doces, feitos com frutas secas, mel e malte de cereais, e eventualmente chocolate.

Advertências
Mães que nunca foram vegetarianas, lembra a Dra. Rizzo, não deveriam iniciar esse tipo de alimentação justamente na gravidez, principalmente sem aconselhamento de um médico, endocrinologista ou nutricionista.
É necessário seguir uma dieta balanceada, que não vá ‘nem tanto ao céu, nem tanto a terra’, principalmente com relação ao ferro. Uma quantidade insuficiente de ferro provoca anemia, assim como uma quantidade excessiva de ferro também é prejudicial, diz a Dra. Rizzo.
Se, além da carne, a pessoa abolir outras fontes protéicas animais (como ovo e leite), será preciso ainda o suplemento de vitamina B12, avisa também o endocrinologista Luiz E. Calliari. Isto porque, segundo as próprias normas de padrão Vegan, os vegetarianos podem ter insuficiência de ferro, zinco e cobre, além da ausência da vitamina B12, só encontrada em alimentos de origem animal.

Dicas
- Não inicie uma dieta vegetariana por modismo ou para acompanhar os hábitos de outras pessoas da família, principalmente na gravidez.

- Se já é vegetariana, procure ingerir alimentos bem variados, de preferência pelo menos um de cada cor.

- Ser vegetariano não implica em seguir uma dieta saudável, se a alimentação não for balanceada. Existem dietas pobres entre os vegetarianos ou não.

- Fumar durante a gravidez, ingerir álcool ou drogas são hábitos que a mulher deve abolir, mesmo vegetariana.

- Consulte seu médico quanto aos alimentos ricos em cálcio que possam substituir o leite, caso sua dieta exclua também os produtos derivados de animais.

- O ganho de peso durante a gravidez, idealmente, não deve ultrapassar onze quilos até o último mês. Uma dieta vegetariana não garante um ganho de peso maior ou menor, assim, para um peso gestacional ideal, convém não abusar dos doces e carboidratos.

4º Matéria sobre alimentação na gravidez

Alimentação na gravidez
Durante as 40 semanas de gravidez, toda a alimentação do bebê é-lhe fornecida pela mãe. Além disso, a própria mãe necessita de mais energias para se preparar para o parto e para atravessar saudavelmente todo o período de gestação.
É portanto fundamental que, de preferência mesmo antes da gravidez, a futura mãe tenha determinados cuidados alimentares no que respeita à qualidade, quantidade e frequência dos alimentos que ingere.
Existem dezenas de livros e revistas sobre este assunto. Por vezes, o único objectivo de muitas dessas publicações é vender, sem se preocuparem com os conceitos errados que não raramente veiculam e com a confusão que frequentemente lançam nas futuras mães, muitas vezes já ansiosas pelos desafios que a maternidade lhes põe. É preciso dizer que apenas existe uma regra fixa no que respeita a este assunto: Bom Senso.
É com esse espírito que a seguir fornecemos algumas indicações sobre os cuidados alimentares na grávida.
Mudanças dos hábitos alimentares
Não se sabe com certeza a razão de ser das alterações dos gostos alimentares durante a gravidez. Segundo alguns estudos, 75 a 90 por cento das grávidas têm pelo menos uma fixação por determinado alimento durante a gestação (os famosos "desejos"), e 50 a 85 por cento adquirem pelo menos uma aversão alimentar. Os enjôos afectam pelo menos 50 por cento durante os primeiros tempos. Até certo ponto estas alterações podem ser devidas às alterações hormonais verificadas no organismo. Antigamente considerava-se este fenômeno como uma maneira do organismo preencher deficiências em determinados componentes alimentares. Na realidade nada está provado nesse sentido.
Outras alterações têm a ver com o aumento da salivação, que é um fenômeno normal, e com a sensação de azia, sobretudo nas fases mais avançadas da gravidez, à medida que o útero vai aumentando e apertando o espaço destinado ao estômago.
Quanto ao vômitos, e para além de medicação adequada, pode-se melhorar a situação aumentando a frequência das refeições e diminuindo as quantidades ingeridas de cada vez, dando preferência a alimentos com fibras, frutas, vegetais e líquidos em grande quantidade.
A azia pode ser melhorada também com a ingestão de refeições pequenas e mais numerosas e evitando sentar-se ou deitar-se no fim de comer. Em caso de necessidade, poder-se-á fazer uma terapêutica com anti-ácidos.
O que é proibido:
Não existem provas de que a toma regular de cafés, chá, colas ou outras bebidas com cafeína possam causar defeitos nas futuras crianças. No entanto, existem alguma indicações no sentido de que poderá haver uma ligeira tendência para o risco de aborto no 1º e 2º trimestres.
Assim, e segundo National Institute of Child Health, não parece haver problema em beber o equivalente a três chávenas de café por dia. Mas o ideal será preferir sempre as bebidas descafeinadas.
Para além de toda e qualquer quantidade de álcool, devem-se evitar todos os excessos em termos de açúcares, gorduras, fritos e todos os alimentos pouco cozinhados, sejam eles carne, peixe ou ovos, bem como o leite não pasteurizado. A carne mal passada pode transmitir uma doença chamada toxoplasmose, que pode causar defeitos ou mesmo a morte do bebé. Também se deve ter especial precaução com as saladas cruas (deixá-las de molho com três ou quatro gotas de lixívia antes de as preparar) e com os cremes e molhos facilmente contamináveis por microorganismos, especialmente no tempo quente.
Necessidades Diárias De Alimentos:
Todas as dietas devem incluir sempre alimentos dos vários grupos, nomeadamente hidratos de carbono (pão, massa, arroz, batata, cereais crus), proteínas (peixe, carne, ovos, leite), vitaminas (frutas e vegetais), minerais (frutas, leite, frutos secos e vegetais) e gorduras (queijo, azeite, leite).
A seguir fornecemos uma lista que descreve as necessidades diárias de alimentos, segundo o American College of Obstetricians and Gynecologists.

Alimentos Funções Quantidade A Lembrar
Pão, cereais, arroz e massa Fornecem hidratos de carbono, importante fonte de energia, vitaminas, minerais e fibras 1 fatia de pão, 30 gr de cereais crus, 1/2 chávena de cereais cozinhados, arroz ou massa ou 1 batata média/grande Escolha pão integral, e cereais com fibras. Deve fazer várias refeições dentro deste grupo em cada dia
Vegetais Fornecem vitaminas A e C, fibras, acido fólico e minerais como o ferro e magnésio 1 chávena de saladas cruas, 1/2 chávena de vegetais cozinhados, 3/4 de chávena de sumo de vegetais Escolha vegetais verdes escuros (espinafres, brócolos...) cenouras, milho e ervilhas, grão de bico
Fruta Vitaminas A e C, potássio e fibras 1 banana ou uma maçã ou laranja médias, 1/2 chávena de fruta em lata, 3/4 de sumo Escolher fruta fresca, congelada ou enlatada. Prefira os sumos naturais sem açúcar
Aves e peixe, carne feijão, ovos e frutos secos Vitaminas B Proteínas, ferro, zinco. Especialmente importante na gravidez, dado o feto necessitar de bastantes quantidades para o seu desenvolvimento 150 gramas de carne ou peixe ou aves cozinhadas sem gorduras, 1/2 chávena de feijão, 1 ovo ou 30 gr de carne magra Escolha carnes magras e tire as peles e gorduras antes de cozinhar. Lentilhas e, frutos secos são também boas fontes de proteínas. Evitar frituras e assados com gorduras
Leite, iogurte e queijo Proteínas, cálcio, fósforo e vitaminas. O cálcio é especialmente importante no desenvolvimento ósseo 1 chávena de leite ou 1iogurte. 120 gr de queijo Escolha alimentos com baixo teor de gorduras (magro ou "light") Se não puder comer lácteos utilize vegetais com folhas verdes, amendoins, ou amêndoas secas, que também contêm cálcio
Nota: por chávena entende-se o volume do que em Portugal se conhece como chávena almoçadeira

Procure dentro do possível distribuir as suas refeições de modo a que consiga ingerir em cada dia os nutrientes acima mencionados. As quantidades podem ter de ser ajustadas conforme o ganho de peso ao longo da gravidez seja ou não adequado. Não se esqueça de beber muita água.

Aumento de peso
À medida que a gravidez avança, o apetite tende a aumentar para que assim não faltem ao bebé os nutrientes de que necessita. As necessidades calóricas em relação à normalidade requerem um aumento de 300 calorias/dia na grávida. Durante a gravidez, uma mulher normalmente constituída deverá aumentar entre 11,5 kg e 15,5 kg, uma magra deverá ir até aos 18,5 kg, e uma obesa de 7 kg a 9 kg. As obesas não deverão aproveitar a gravidez para emagrecer! Mas podem habituar-se a ter hábitos alimentares mais saudáveis e disciplinados.
Este ganho de peso é distribuído entre a mãe e o feto em proporções variáveis ao longo da gravidez. Depósitos de gordura materna são constituídos durante as fases iniciais da gravidez até atingirem o seu máximo a meio do tempo. Vão depois servir como reserva de energia para alimentar o rápido crescimento fetal que se verifica a partir dessa altura.
Idealmente, deveria haver um aumento de 1,5 kg a 3,800 kg no 1º trimestre, e 350 gr a 450 gr por semana depois disso. O aumento mais rápido de peso ocorre nos últimos três meses. Uma ou duas semanas depois do nascimento, a mãe já perdeu em média 8 a 9 kg. Ao fim de 4 a 6 meses, o peso voltou ao normal.


 

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